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Santuário de Americana é elevado à basílica
O Santuário Santo Antônio de Pádua, em Americana (SP), foi elevado pelo Vaticano ao grau de Basílica menor, por meio de decreto de criação apresentado pelo bispo de Limeira (SP), dom Vilson Dias de Oliveira, no dia 13 de junho.
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Palavra do Pastor Dom frei João Mamede Filho, OFM Conv.

Momento definitivo

A morte para o cristão não é um ponto isolado, lá no fim do seu caminho terreno. Para ele, a vida terrena é preparação para a do céu. Nela estamos como criancinhas no seio materno. Ou como atletas no aquecimento para o jogo definitivo, que será lá em cima! Ou como noviços cuja vida mesmo será lá do outro lado!
Na vida nunca estamos plenamente satisfeitos. Há sempre a expectativa de um pouco mais de amor, felicidade e bem estar. Vivemos impelidos pela esperança. Mas, no fundo dessa dinâmica de vida e esperança, se oculta, sempre à espreita, o pensamento da morte; um pensamento ao qual não nos habituamos e do qual gostaríamos de nos ver livres. No entanto, a morte é companheira de toda a nossa existência: despedidas e doenças, dores, desilusões e até o sono profundo são dela sinais a nos advertir.
O cristianismo não tem medo de temer a morte. Porém, trata-se de um medo que faz acordar para a responsabilidade e a seriedade da vida.
Antigamente os monges cristãos tinham, toda noite, o chamado exercício da morte. Pensar, imaginar, se colocar diante da morte. Não para treinar a morrer bem, mas para acordar integralmente para a vida. Ou seja, para rasgar o véu do empírico. Era um exercício que colocava a pessoa face a face com Deus: aí, ter riqueza não resolve, ter ajudado o próximo, também não. Um monte de pequenos apegos do eu, toxinas da existência desaparecem. O medieval achava muito terapêutico tomar uma ducha destas de vez em quando, um banho do que é real mesmo.
Um povo que foge do pensamento da morte é um povo alienado. Não se trata de necrofilia. É questão de aguçar a compreensão do que é viver hoje, aqui e agora.
Trata-se do cultivo da disposição cordial: se estivermos, a todo momento, face a face com o Senhor, na morte também estaremos.
A arte marcial também tem o exercício da morte. E é quase como na religião. Dá um tal frescor ao viver, uma tal vivacidade que, às vezes, ajuda a escapar de golpes mortais mesmo.
A fé na vida eterna pode, algumas vezes, ter gerado o fenômeno da alienação, mas que criou grupos humanos de muita coragem, isso criou! Exército que crê na vida eterna é invencível.
Há uma pintura antiga que mostra um circo romano lotado de povo e, no picadeiro, quatro jovens entregues a touros selvagens. Para o deleite da platéia, os touros as levantam nos chifres, as atiram ao longe e lhes rasgam o ventre e outras áreas da pele. Depois de algum tempo, tudo fica sem graça, porque as virgens, extenuadas, permanecem no chão. Entram então alguns arqueiros para o golpe de misericórdia: uma flechada no peito, que atravessa o coração. Aí as virgens, num último esforço, se levantam e passam a ajeitar os cabelos, esconder pedaços de tripa e órgãos expostos e arranjar as vestes rotas. Um dos arqueiros pergunta: “por que tudo isso se daqui a um minuto vocês estarão mortas?” E uma delas responde: “É que vamos encontrar o noivo. E para o encontro com o noivo não se vai de qualquer jeito!”
O prefácio da Missa dos defuntos diz: “Ó Pai, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível”. Creio, Senhor, mas aumentai minha fé!

Dom frei João Mamede Filho, OFM Conv.
Bispo Diocesano de Umuarama – PR

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