Nos dias 13 e 14 de fevereiro realizamos o seminário das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Província Eclesiástica de Maringá que compreende Arquidiocese de Maringá e as dioceses de Campo Mourão, Paranavaí e Umuarama.
Um dos momentos marcantes foi quando em nome dos/as participantes o Pe Sidney Fabril, assessor das CEBs na província pediu ao arcebispo da Arquidiocese de Maringá, dom Anuar Battisti, apoio ás CEBs.
O arcebispo acolheu com carinho o pedido e sugeriu para que elaborássemos uma carta aos bispos solicitando apoio e colocou-se para leva - lá na reunião dos bispos.
Segue abaixo a carta que elaboramos e encaminhamos aos bispos da Província Eclesiástica de Maringá e do Regional Sul II e ao Povo das CEBs.
Lucimar Moreira Bueno
Coordenadora das CEBs na Província Eclesiástica de Maringá
CARTA DA PROVÍNCIA ECLESIÁSTICA DE MARINGÁ
Seminário Provincial das CEBs
“Bem-aventurados vós, os pobres...
...vós, que agora tendes fome... vós que chorais... (Lc 6,20ss)”
... bem-aventurados também vós que defendeis a vida,
a natureza, a ecologia...obra prima do Criador...
Aos Srs. Bispos da Província de Maringá e do Regional Sul II
Ao povo das CEBs
Reunidos nos dias 13 e 14 de fevereiro de 2010, no Centro de Formação Bom Pastor, da Arquidiocese de Maringá, preocupados com a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base(CEBs), com a sua identidade e seu papel na missão evangelizadora da Igreja – embora reconhecendo a grande contribuição que este “modo de ser Igreja” tem oferecido às comunidades, sobretudo na formação de lideranças – mas também atentos à ‘mudança de época’ que vivemos na sociedade e na Igreja...
... Após reflexões, partilha de experiências e debates, levantamos algumas inquietações que queremos partilhar com toda a Igreja da Província de Maringá e do Regional Sul II, visando estabelecer referências sólidas e buscar respostas e apoio.
Somos 85 leigos, uma religiosa e dois padres, representando as quatro dioceses da província e queremos assumir e fortalecer, a partir deste Seminário, a caminhada e o papel das pequenas comunidades em especial a caminhada das CEBs, como protagoniza o Documento de Aparecida e outros documentos da Igreja no Brasil.
Nestes dois dias de encontro, fizemos, no sábado, dia 13, uma profunda reflexão sobre ecologia e meio ambiente, com a assessoria do Professor Jelson Oliveira, que nos fez perceber a urgência da nossa ação na conscientização e preservação ambiental. Há uma crescente ameaça à vida que precisa, urgentemente, ser trabalhada em todos os segmentos.
No domingo, partindo dos questionamentos que apareceram nos trabalhos de grupos, o Pe. Sidney Fabril trabalhou o tema “como ser comunidade hoje”, mostrando as profundas mudanças por que estamos passando e a necessidade de estabelecer novas formas de relacionamentos, sem, contudo, perder a mística cristã.
Nossas inquietações e desafios são, entre outros:
a)Definir com clareza o que realmente é uma CEB, que elementos a compõe, qual sua mística e estrutura – ainda há confusões entre alguns agentes;
b)Como motivar a participação dos homens e dos jovens nos grupos;
c)Como ampliar o número de agentes, de grupos e de CEBs, que têm sofrido sensível redução, e como melhorar a participação e a perseverança das pessoas nas atividades pastorais e nos grupos.
Diante destas dificuldades, sabendo que as possíveis soluções não dependem apenas da boa vontade das lideranças que atuam em nossas paróquias, mas de toda a Igreja, numa ação conjunta e perseverante, pedimos o apoio, sobretudo dos senhores bispos no sentido de:
1.Confirmar as CEBs como prioridade regional;
2.Motivar, incentivar e orientar todo o clero – desde os seminaristas – na organização das pequenas comunidades de forma especial na organização das CEBs, de modo a transformar as paróquias em redes de pequenas comunidades;
3.Ampliar a abertura de espaços para formação de agentes leigos;
4.Esclarecer e definir com clareza o papel das CEBs, sua estrutura e mística.
Estas são as nossas inquietações, partilhadas e celebradas em nome da Trindade Santa, que se transformam em carta, a pedido de Dom Anuar Batistti, e possível contribuição para a Assembléia Geral dos Bispos deste ano.
A fé cristã é uma decisão pessoal. É preciso refletir muito sobre as motivações que nos levam a tomar essa decisão. ...
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