Padres

Pe. Paulo Mariano Mendonsa

"Como retribuirei ao Senhor por tudo o que Ele me fez? Erguerei o Cálice da salvação invocando o nome Santo do Senhor"

Data Ordenação:
13/12/1981

Aniversário:
10/07

Paróquia:
Paróquia Santo Antônio

Palavra do Pastor

Momento definitivo

A morte para o cristão não é um ponto isolado, lá no fim do seu caminho terreno. Para ele, a vida terrena é preparação para a do céu. Nela estamos como criancinhas no seio materno. Ou como atletas no aquecimento para o jogo definitivo, que será lá em cima! Ou como noviços cuja vida mesmo será lá do outro lado!
Na vida nunca estamos plenamente satisfeitos. Há sempre a expectativa de um pouco mais de amor, felicidade e bem estar. Vivemos impelidos pela esperança. Mas, no fundo dessa dinâmica de vida e esperança, se oculta, sempre à espreita, o pensamento da morte; um pensamento ao qual não nos habituamos e do qual gostaríamos de nos ver livres. No entanto, a morte é companheira de toda a nossa existência: despedidas e doenças, dores, desilusões e até o sono profundo são dela sinais a nos advertir.
O cristianismo não tem medo de temer a morte. Porém, trata-se de um medo que faz acordar para a responsabilidade e a seriedade da vida.
Antigamente os monges cristãos tinham, toda noite, o chamado exercício da morte. Pensar, imaginar, se colocar diante da morte. Não para treinar a morrer bem, mas para acordar integralmente para a vida. Ou seja, para rasgar o véu do empírico. Era um exercício que colocava a pessoa face a face com Deus: aí, ter riqueza não resolve, ter ajudado o próximo, também não. Um monte de pequenos apegos do eu, toxinas da existência desaparecem. O medieval achava muito terapêutico tomar uma ducha destas de vez em quando, um banho do que é real mesmo.
Um povo que foge do pensamento da morte é um povo alienado. Não se trata de necrofilia. É questão de aguçar a compreensão do que é viver hoje, aqui e agora.
Trata-se do cultivo da disposição cordial: se estivermos, a todo momento, face a face com o Senhor, na morte também estaremos.
A arte marcial também tem o exercício da morte. E é quase como na religião. Dá um tal frescor ao viver, uma tal vivacidade que, às vezes, ajuda a escapar de golpes mortais mesmo.
A fé na vida eterna pode, algumas vezes, ter gerado o fenômeno da alienação, mas que criou grupos humanos de muita coragem, isso criou! Exército que crê na vida eterna é invencível.
Há uma pintura antiga que mostra um circo romano lotado de povo e, no picadeiro, quatro jovens entregues a touros selvagens. Para o deleite da platéia, os touros as levantam nos chifres, as atiram ao longe e lhes rasgam o ventre e outras áreas da pele. Depois de algum tempo, tudo fica sem graça, porque as virgens, extenuadas, permanecem no chão. Entram então alguns arqueiros para o golpe de misericórdia: uma flechada no peito, que atravessa o coração. Aí as virgens, num último esforço, se levantam e passam a ajeitar os cabelos, esconder pedaços de tripa e órgãos expostos e arranjar as vestes rotas. Um dos arqueiros pergunta: “por que tudo isso se daqui a um minuto vocês estarão mortas?” E uma delas responde: “É que vamos encontrar o noivo. E para o encontro com o noivo não se vai de qualquer jeito!”
O prefácio da Missa dos defuntos diz: “Ó Pai, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível”. Creio, Senhor, mas aumentai minha fé!

Dom frei João Mamede Filho, OFM Conv.
Bispo Diocesano de Umuarama – PR

Liturgia Diária

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